O brasileiro está cada vez mais refém do telemarketing abusivo. Um novo levantamento do Idec (Instituto de Defesa de Consumidores) revelou que o país recebe mais de 1 bilhão de ligações indesejadas por mês, consolidando o Brasil como líder mundial nesse tipo de prática. São cerca de 305,7 mil chamadas por minuto, muitas delas feitas por robôs apenas para verificar se o número está ativo.
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Os dados mostram que 92% das pessoas que recebem essas ligações não têm qualquer relação com as empresas responsáveis pelos contatos, o que levanta um forte alerta sobre o uso irregular de dados pessoais. Entre junho de 2022 e dezembro de 2024, foram registradas mais de 1 bilhão de chamadas abusivas mensais, o equivalente a 743 ligações por habitante no período. Só em 2025, o país contabilizou 161,16 bilhões de chamadas curtas, com duração de até seis segundos.
O problema já deixou de ser apenas um incômodo e passou a afetar diretamente a rotina dos brasileiros. Muitos consumidores relatam estresse, perda de tempo e até o hábito de ignorar números desconhecidos, o que começa a atrapalhar até serviços essenciais, como atendimentos na área da saúde. Há casos extremos de pessoas que chegaram a receber mais de 60 ligações em um único dia útil, além de aposentados e idosos frequentemente alvo de ofertas agressivas de crédito consignado.
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Diante desse cenário, o Idec defende mudanças mais rígidas, como permitir telemarketing ativo apenas com autorização prévia do consumidor, no chamado modelo opt-in. A proposta também inclui limitar horários de ligações entre 8h e 18h em dias úteis, restringir o uso de robôs e criar uma plataforma nacional para o controle de consentimento. Enquanto isso, o tema segue em debate no Congresso e cresce a pressão por regras mais duras contra o abuso.


